Viva Benguela

QUI23052013

Última actualização 23 Maio 2013 13:05:10

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Benguela

Perfil da Província

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Angola Provinces Benguela 250px

Características


Capital: Benguela 

   Área: 39 827 km2

População2 110 000

Clima
: tropical seco

Distâncias em km a partir de Benguela:
 Luanda 692; Sambe 208; Lobito 33

Indicativo telefónico:
 272

Agricultura
: bananas, açúcar, algodão, hortaliças e milho; minerais, indústria mineral

Outros produtos:
 pesca e indústria pesqueira

Província da região central e oeste de Angola cuja capital é a cidade de Benguela, com 513 000 habitantes. Confinada pelo oceano Atlântico (a oeste) e pelas províncias angolanas de Kwanza Sul (a norte), Huambo (a este), Huíla (a sudeste) e Namíbe (a sul), a província de Benguela tem uma superfície de 39 826 km2 e uma população de cerca de 2 110 000 habitantes.

A cidade de Benguela é um importante centro urbano de Angola, centro de desenvolvimento comercial e industrial, de atracção turística, além de dispor de uma importante comunidade cultural. As ruas são povoadas de acácias rubras e é famosa pelas suas praias.

Benguela é uma cidade abençoada por Deus e moldada pela mão humana. Constituída maioritariamente por indivíduos de raça negra pertencentes a etnia Ovimbundu, Benguela faz parte do pequeno conjunto de 4 províncias do País com uma grande franja de concentração de cidadãos de origem europeia (portugueses ou descendentes) e de mestiços, quer resultantes da miscigenação com a população nativa, quer com a de origem cabo-verdiana, que representam cerca de 10% da população.

A sua magia é caracterizada por uma longa história que remonta os anos de 1601 quando na Baía das Vacas desembarcaram os primeiros Portugueses atraídos por uma suposta riqueza animal. Aos poucos Manuel Cerveira Pereira, impulsionado pelas lendas da existência de ricas minas de prata e de cobre, funda São Filipe de Benguela a 17 de Maio de 1617 que vai se transformar numa importante base de penetração para o interior de Angola. Posteriormente, São Filipe de Benguela tornou-se num grande centro de tráfego de escravos. Em meados do século XX, a capital provinciana foi ultrapassada em importância pela cidade de Lobito, pois esta apresentava melhores condições portuárias.

A localização de São Filipe de Benguela foi muito mal escolhida. Cercada por pântanos, foi fatal para a maioria dos seus habitantes que sucumbia das piores doenças. O sonho das minas de prata do Cambambe se esfumava dando lugar, ao cobre de Benguela exaltado pelos grandes exploradores das riquezas do subsolo. Em todo caso, a qualidade do cobre não era das melhores.

A conquista do Reino de Benguela, a fundação da cidade e a sua evolução nos séculos XVII, XVIII e XIX, respectivamente, não galvanizaram a sua prosperidade. O mau clima, as péssimas condições económicas e outros defeitos de circunstância, contribuíram para esta apatia. No fim do século XIX e princípio de XX, podemos afirmar que a situação tinha ganho uma estabilidade. 

A colonização começa a produzir os seus efeitos. As caravanas comerciais estavam mais animadas pelas trocas de mercadorias coloniais. A pouca quantidade de peixe seco e o sal produzidos pela vila, em muito contribuíram para essas trocas comerciais com produtos das terras altas como cerais, borracha, sisal, rícino, mandioca, objectos de marfim, gado, entre outros. Benguela começa a ser então considerada como o Porto mais importante a seguir de Luanda. Era o ponto de partida e de chegada das grandes caravanas consagradas as trocas comerciais. 

Ombaka que em Umbundu significa fortificação em alusão aos fortes onde os nativos se escudavam e Bengue (grandes pantanais que caracterizavam São Filipe), daí a origem Benguela, era um símbolo de prosperidade comercial e rossio dos negociantes. 

Uma nova vida começa e neste clima emergiram cidades e vilas. O mito de Benguela começa a ser desmistificado como “Cidade mãe das cidades” que nascer Catengue, Caimbambo, Cubal, Ganda, Alto Catumbela, Quinjenje, Cuma, Longonjo, Lepi, Caála e Huambo que se transforma em Nova Lisboa graças ao sonho imortal de Norton de Matos. 

Pelo interior no sentido Leste, o crescimento era incessante e atinge Bela Vista, Chinguar e Silva Porto (hoje Kuito). Uma das mais preciosas contribuições atribuídas a esta penetração foi uma obra de valor internacional, implantada carril por carril ao longo de milhares de quilómetros desbravando novos caminhos, escolhendo áreas de melhor fixação e mais eficazes para a população. Esta obra é o Caminho-de-ferro de Benguela. 

A necessidade que se fazia sentir de um Porto e as extraordinárias condições reunidas na antiga Catumbela das Ostras, deu nascimento ao Lobito, do seu porto e da sua cidade. Eles, vieram confirmar a importância do fenómeno da colonização feita a partir de Benguela, percorrendo mais de 1300 km de extensão do hiterland de Angola, do litoral a fronteira do Luau. 

Mas a crise surgida em Benguela quando o comércio com os indígenas começara a tornar-se disperso e desorganizado, a situação económica piorara, seguida pela queda da cotação internacional do sisal. É que o comércio em Benguela trabalhava em grande escala com o sisal das regiões circunvizinhas do interior e grande parte de capitais se perderam por causa da queda da cotação. 

Os poucos capitais que sobreviveram foram investidos no sector pesqueiro. A costa de Benguela era um autêntico viveiro. Os barcos chegavam carregados de peixe. O peixe era um dinheiro seguro. Os capitais circulavam em abundância. Os pescadores chegavam de Portugal para se fixarem. Começava o reino de peixe. Os proventos permitiram construir aos poucos casas e grandes imobiliárias e a velha construção desaparecia. Em 1948 entra em acção o plano de urbanização de Benguela. 

Apesar da guerra colonial e civil ter afectado a província, esta conseguiu obter, durante esse período, alguns investimentos públicos para obras de carácter social. Com o fim da guerra, o governo provincial tem procurado investimentos públicos e privados para implementar alguns projectos de reabilitação e de desenvolvimento. Desde a década de 90, com o apoio da ADPP (Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo ) e de várias instituições públicas e privadas e organizações não-governamentais, como UNICEF, Humana-Holanda, Programa Alimentar Mundial, Humana-Alemanha, Caritas, entre outras, têm surgido vários projectos de ajuda humanitária. No sector da educação, foram lançados os projectos Escola de Artes e Ofícios (em 1993), Escola Formigas do Futuro (em 1994), Escola Professores do Futuro (em 1997) e Sim Benguela - Projecto de Selecção, Formação e Iniciação Empresarial (em 2000). No sector social, foram lançados os projectos: Venda de Roupa (em 1993); Ajuda às Crianças (em 1993); Esperança (em 1997), com o objectivo de apoiar os doentes com Sida e de diminuir a expansão da doença em Angola; Programa de Reabilitação Municipal Chongorói Unido (em 2000), integrado no Projecto de Reabilitação Social Pós-Conflito.

 

Educação

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Ao nível da educação, Benguela destaca-se pela positiva no panorama angolano.

Embora na frequência no ensino primário, a província se encontre dentro da média angolana, já no que respeita ao ensino secundário, em 2009, a província era a segunda, logo depois de Luanda, com maior taxa de frequência do ensino secundário: 25,8% dos rapazes, e 22,5% das raparigas.

No que respeita ao ensino superior, Benguela é uma das províncias em que este se encontra representado. entre as instituições de ensino superior instaladas na província, destacam-se o Instituto Superior de Ciências a Educação (ISCED-Benguela) , um pólo do Instituto Jean Piaget e a Universidade Katyavala Bwila (UKB).

Cultura

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É um dos mais fortes centros culturais angolanos, não só por ser berço de uma certa intelectualidade angolana mas também porque os benguelenses são em si acérrimos defensores do seu espaço. É tida como uma das províncias mais mestiças de Angola, quer do ponto de vista racial como do cultural.

A cultura em Benguela é caracterizada por um vasto manancial que se estende desde a música, dança, literatura, escultura, museologia, monumentos e sítios, etc. que preservam a memória colectiva da historicidade daquilo que foi e é o território da província e sua influência para o desenvolvimento cultural do país.

As artes plásticas e o artesanato por tipo de matérias estão fortemente implantados em Benguela dando outra dimensão cultural aos valores das artes locais.

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História do Carnaval...

O Carnaval nesta parte Sul do País, ficou marcado com o aparecimento dos grupos "FINEZA" da cidade do Lobito e o grupo "KAFAKUMBA" da cidade de Benguela, por volta dos anos trinta e quarenta.

Por essa altura, o sucesso no carnaval do Lobito, era partilhado por dois grandes grupos, sendo o primeiro, o já referido "FINEZA" do Bairro da Canata e o grupo "LUZ E ÁGUA" da Kanjanguela, bairros vizinhos, daquela cidade que até á data da interrupção das realizações do Carnaval por volta de 1975, com outros grupos tais como "CORAÇÃO" do Bairro da Caponte, "BEIRAMAR" do Lobito Velho, "ÁGUA ENTRE SAL" do Liro, "BUNDA MULEZA" da Nakapreta, "SAMBALELE" do Bairro Santomense, "CARIOCA" do Bairro S. João e outros ainda, faziam o Carnaval do Lobito.

Na cidade de Benguela, vingaram os grupos "ÁGUA E LUZ" da Camunda, "MARÍTIMO" Bairro do Casseque e outros.

Foram figuras de destaque no grupo Fineza, a Sra. Kufa, Rainha do grupo e o animador Justino Faustino Bento, também conhecido por Justino Calonavaya, assim conhecido por ser dado à rixas à navalha.

No grupo Luz e Água, destacavamse, o comandante José Chimbrigaro, a kota Domingas Kalossobio, Rainha, o kota Carapau, Rei, o Tonecas, o Brasileiro, tocadores de bumbo e o corneteiro Carvalho.

Da época dos anos trinta até aproximadamente 1963, os grupos desfilavam pelas artérias da cidade, passando pelo palácio do Administrador ou do Governador tratandose da cidade de Benguela, onde os grupos eram avaliados, resultando na oferta de barris de vinho para os grupos com melhor desempenho, o que constituía motivo para uma disputa renhida entre os grupos.

No período que vai de 1964 à 1974, a Câmara Municipal da Cidade do Lobito instituiu o CARNAVAL TURÍSTICO DO LOBITO, como forma de atrair turistas para aquela cidade, combinando as potencialidades balneárias da localidade e outras de carácter turístico, com o carnaval, acrescentando à este, elementos como o concurso de carros alegóricos, as batalhas de farinha, os bailes e outros, passando este a ter participação intermunicipal com a concorrência dos grupos da cidade de Benguela, da vila da Catumbela e mesmo de grupos provenientes de Luanda e do Brasil, o que elevou esta realização à dimensão internacional, tendo sido mesmo classificado em 1972 como o melhor do mundo depois do Brasil. Importa salientar que se por um lado estas transformações lograram positividade em termos de realizações, por outro, limitava um pouco o desempenho dos grupos por tratarse de um carnaval tabelado e guiado por normas impostas e não por espontaneidade e criatividade própria.

Após o interregno das realizações, condicionado pelas transformações políticas ocorridas no País e tendo o 1° Presidente da República de Angola Dr. António Agostinho Neto exortado a população para retomar esta grandiosa manifestação cultural em 1978, surgiram na província de Benguela, novos grupos de carnaval que à par de alguns grupos remanescentes do período colonial foram disputando o Carnaval.

Deste já distante ano, o Governo de Angola através do Ministério da Cultura tem envidado esforços na sustentabilidade desta manifestação, que não deve ser de "per si", responsabilidade única do Estado, mas também da sociedade civil.

No entanto o projecto de transferência paulatina da responsabilidade do carnaval à sociedade civil, sendo um processo gradativo, tem sido de difícil aplicabilidade, condicionando a redução da homogeneidade conquistada pelo Carnaval do Lobito nos anos idos. Pelo que tem sido moda ultimamente, discretear com azedume sobre as realizações do carnaval na nossa Província e no País.

Tal situação decorre do facto das realizações do Carnaval terem sido de estrita responsabilidade do Estado que pela escassez dos recursos atribuídos a esta actividade, não cobre todas nuances inerentes a uma realização de grandeza.

Portanto urgente se torna uma mudança deste quadro que não se compadece com o procurar paliativos aos seus defeitos que tornam as realizações cada vez mais descaracterizadas do seu conteúdo popular.

É aforismo estratégico que as vitórias sobre as situações indesejáveis não se conseguem pela simples defensiva; para obteIa, impõese um posicionamento ofensivo com a promoção do associativismo cultural que poderão consolidar a criação da Associação Provincial do Carnaval de Benguela, esta que representará o envolvimento da sociedade civil na sustentação do Carnaval.

 

Município de Benguela

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Benguela é uma cidade e município, capital da província de Benguela, no oeste de Angola.

Tem 2 100 km² e cerca de 513 mil habitantes. Limita a Norte com o município do Lobito, a Oeste com os municípios de Bocoio e Caimbambo, a Sul com o município de Baía Farta e a Oeste com o Oceano Atlântico. O município divide-se em seis comunas: Zona A, Zona B, Zona C, Zona D, Zona E e Zona F.